Aqui nasceu o TEP
Em novembro de 1950, Manuel Breda Simões convidou alguns colegas então professores na Escola Comercial Oliveira Martins e amigos com quem se encontrava no Café Leão D'Ouro, na Batalha, para uma reunião. A ideia era a criação de uma associação designada Círculo de Cultura Teatral, que deveria ter um grupo de Teatro Experimental do Porto. Seguir-se-iam reuniões em várias associações, mas os jovens não percebiam nada de teatro, colocando o regime fascista sistemáticas dificuldades para a sua criação. Até que um jovem poeta, Eugénio de Andrade, se lembrou do seu amigo António Pedro, já um conceituado homem de teatro que, após três anos de más experiências em Lisboa, se retirara para Moledo do Minho, dedicando-se à cerâmica.
O espaço acordado foi o do Clube Fenianos Portuenses, no qual António Pedro deu a primeira aula em 7 de março de 1953. Ora os Fenianos não podiam apoiar um programa com estas características e foram encontrados espaços alternativos para os dias em que não se podiam efetuar os ensaios nas suas instalações: o atelier de Cláudio Carneiro, as instalações da SEN (Sociedade Editora Norte, cooperativa livreira) e até num banco de jardim da Avenida dos Aliados.
Perto da estreia surgiria um novo problema: o TEP estava legalizado como associação mas não como entidade produtora de espetáculos! A Direção dos Fenianos assumiu apresentar o espetáculo do TEP, bem como os seguintes, até o novo agrupamento se legalizar na vertente referida.
Esta situação criada com o primeiro espetáculo do TEP (constituído por A GOTA DE MEL, de Léon Chancerel, NAU CATRINETA, de Egito Gonçalves, e UM PEDIDO DE CASAMENTO, de Anton Tchekov), voltaria a acontecer com os dois espetáculos seguintes: ANTÍGONA, de António Pedro, e MORTE DUM CAIXEIRO VIAJANTE, de Arthur Miller, todas encenadas por António Pedro. Só a partir do quarto espetáculo o TEP passou a dispor do estatuto que lhe permitia apresentar-se sozinho.
Entretanto, o TEP passou a dispor de meios próprios. Em outubro de 1956, deixa de ser um grupo amador, passando a semi-profissional e em outubro de 1957 a companhia e todo o seu elenco passou a ser profissional, com o espetáculo A PROMESSA, de Bernardo Santareno.
Internamente, a passagem a companhia profissional provocou alguns desentendimentos que levaram à saída de ex-dirigentes e sócios como Alexandre Babo, João Apolinário, João Arnaldo Maia, Fernando Gaspar e outros. Estes constituirão a base do Grupo de Teatro Moderno do Clube Fenianos Portuenses, que iniciará a divulgação de autores modernos, com a presença dos mesmos, como Eugène Ionesco e Marcel Marceau. Paralelamente, apresentarão o único espetáculo do grupo: ARLEQUIM, SERVIDOR DE DOIS AMOS, de Carlo Goldoni, encenado e protagonizado pelo ator luso-brasileiro Luís de Lima. O grupo, inviabilizado pela Censura, terminaria em 1961.
Os Fenianos estiveram assim na origem não só do TEP como do grupo que constituiu a primeira dissidência da companhia. Mais tarde, por diversas vezes em situações diferentes, os Fenianos não deixaram de apoiar o TEP. Na temporada de 1998, o Teatro Experimental do Porto estreou e fez carreira na sala do segundo andar com os três espetáculos então estreados, antes de mudar a sede para Vila Nova de Gaia. E certamente no futuro outras oportunidades ocorrerão.
A gratidão do CCT / Teatro Experimental do Porto para com o Clube Fenianos Portuenses é permanente.
A gratidão do CCT / Teatro Experimental do Porto para com o Clube Fenianos Portuenses é permanente.