O Clube mais antigo da cidade é uma associação cultural e recreativa sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública. Nasceu em 1904 sob o lema "Pelo Porto", sempre sob os ideais republicanos liberais. Aqui nasceu o Teatro Experimental do Porto e tiveram lugar grandes espetáculos, festas irrepetiveis e debates com oradores tão ilustres como Oscar Lopes, Miguel Torga ou António Macedo. Acolheu artistas tão marcantes como Rafael Bordalo Pinheiro e Teixeira Lopes, entre outros. Por aqui passou o melhor da música coral. Aqui se organizaram os gigantescos corsos carnavalescos do Porto. E também grandes torneios da nobre arte do bilhar.
Fundadores
Durante o século XIX Portugal sofreu a influência do desenvolvimento industrial e cultural europeu, que resultou, em termos políticos, na evolução dos ideais liberais da liberdade, igualdade e fraternidade até ao pensamento e objetivos sociológicos das correntes republicanas da viragem do século.
Lançamento da 1ª pedra da sede do clube
Bandeira do Clube
Esta preferência política encoberta sobressai na escolha das cores do clube - o vermelho e o branco, as mesmas do partido republicano. Assim, não era raro usar-se as proibidas cores republicanas em gravatas, alfinetes ou outros acessórios ao abrigo de “ser-se feniano”. Também valeu a perseguição e prisão de associados e a destruição das instalações (então arrendadas no edifício do Teatro Águia D’Ouro) durante os primeiros anos da República. Reorganiza-se e, em 1920, inicia a construção da sua sede social, o edifício onde ainda hoje se encontra.
Ora estes “homens bons” do Porto souberam usar o riso do povo feito crítica para ajudar a levar a cabo os seus objetivos. Assim, e já no ano de 1905, transformaram o Carnaval da cidade e fizeram da charge política e do mecenato cultural as suas armas de eleição.
Durante a 1ª metade do séc. XX os Fenianos foram responsáveis por inúmeras melhorias e ações sociais. Apenas alguns exemplos são a regulamentação do horário de trabalho no comércio, o descanso semanal, auxílio às vítimas de desastres naturais, criação e financiamento de previdências e sanatórios, intervenção na elevação do porto de Leixões a porto comercial e na instalação nacionalizada da “telegrafia sem fios” e da linha telefónica dupla entre Lisboa e Porto.
Afirmou-se também como pólo de desenvolvimento e divulgação cultural e desportiva através de conferências, concertos, teatro, mecenato artístico, campeonatos, edições próprias. Lembramos, a propósito, a divulgação do Jazz, então uma música subversiva, e o apoio a artistas como Almada Negreiros e Rafael Bordalo Pinheiro, entre outros.
Comenda da Ordem Militar de Cristo
A alteração social e política em Portugal, o advento da II Guerra Mundial e as suas consequências tiveram um forte impacto na vida do Clube que, a partir da década de 1960, se viu incapacitado para ter a mesma influência externa das primeiras décadas. Apesar de mais virado para dentro, mantém atividade cultural e desportiva. Mas, sobretudo, resiste e mantém a sua promessa de tudo fazer “Pelo Porto”.
É Entidade de Utilidade Pública (1928) e comendador da Ordem Militar de Cristo (1942)
Primeiro empréstimo obrigacionista
 em Portugal para um clube​​​​​​​
Titulo de empréstimo de 250$00
“As perturbações ocasionadas ao Clube Fenianos pelas agitações políticas desde dezembro de 1917 a fevereiro de 1919 fizeram deste período associativo um verdadeiro calvário…”
“A ira levantada contra a coletividade pelos seus inimigos sob falsos pretextos deu origem a que o Clube fosse assaltado na noite de 14 de outubro de 1918, pelas 23.30 horas, por um bando de indivíduos desconhecidos armados que tudo destruíram e pilharam…”
“A 23 e 31 de janeiro do ano seguinte novos assaltos se verificaram, sendo estes para liquidar o pouco que restava da primeira invasão…” 
“Por este factos deploráveis esteve a agremiação fechada aos seus associados entre 15 de outubro de 1918 e 5 de março de 1919…”
“A 2 de março de 1919… realizava-se uma assembleia Magna…, para resolver firmemente a construção ou aquisição de um edifício para funcionamento da coletividade e sua maior expansão…”
“Finalmente a escolha foi cair nos terrenos onde existiu a Assembleia Portuense, no Largo da Trindade, a que foi anexada uma parcela de terreno com face para a futura Avenida das Nações Aliadas, paralela ao projetado edifício municipal...”
“Vendidos os papeis de crédito que constituiam o fundo especial sob a rubrica “Compra do prédio”, necessário se tornava contrair um grande empréstimo destinado à aquisição dos terrenos e consequente construção do monumental edifício.”
“Em sessão de Direção de 21 de março de 1919… foi aprovado o modelo para a grande subscrição:
Subscrição para empréstimo de Esc. 100.000$00, divididos em 2.000 obrigações    hipotecárias com o juro anual de 5,5%, amortizáveis em 35 anos com entrada de 50% no ato da subscrição e os restantes 50% em prestações mensais de 10%, para aquisição de um prédio destinado à instalação do Clube.”
“Em 17 de maio seguinte, foi a subscrição elevada para 200 contos.”
“E finalmente em Assembleia Geral de 9 de outubro de 1920 foi esse empréstimo ampliado e aprovado para 500.000$00 divididos em 10.000 obrigações hipotecárias de 50$00 cada, amortizáveis em 5 anos, ao juro de 5,5%, pago semestralmente, em janeiro e julho de cada ano e conforme as condições da escritura pública lavrada no notário Borges de Avelar do Porto, em 25 de Novembro de 1920.”
“Foi encarregado de executar o desenho para os títulos desse empréstimo o escultor José de Oliveira Ferreira e de apresentar um projeto de construção para o novo edifício social seu irmão Francisco de Oliveira Ferreira.” 
In: MEIRELES, José de - Pelo Porto: O Clube Fenianos Portuenses desde a sua fundação. Porto: Fernando Machado & Cª Lda, 1941. P 123-131.
O edifício do Clube

A abertura da Avenida das Nações Unidas e a pressuposta monumentalidade dos edfícios nela construídos, desajustados de um tecido económico impreparado, provoca um moroso processo na concretização dos projetos de arquitetura, situação que, aliada a uma sucessiva e rápida alternância das correntes estilísticas do século XX, inviabilizará de alguma forma a nação do conjunto estético pretendido.
Projeto do clube
Projeto do clube
O edifício dos Fenianos foi projetado em 1919 pelo arquiteto Francisco de Oliveira Ferreira, incorporando o palacete da Assembleia Portuense datado de 1857, existente na esquina da praça da Trindade com a rua Ricardo Jorge. Nos anos de pobreza a seguir à 1ª Grande Guerra, o grandioso edifício obviamente não será totalmente realizado, como se demonstra pela manutenção da fachada lateral do palacete pré-existente, na ausência dos efeitos decorativos da platibanda, no torreão-zimbório e nas demais coberturas salientes que denunciavam o grande salão de festas e restaurante no interior, para além das escadarias monumentais, zonas especialmente dignificantes que não seriam construídas. Todas estas funcionalidades espaciais seriam transformadas e adaptadas de forma mais económica, mantendo contudo alguma da ambição dignificante pretendida.
A morfologia arquitetónica das fachadas, entre planos retos e convexos, remete a articulação das formas volumétricas para o plano da Avenida dos Aliados condicionado pelo arquiteto Marques da Silva e que seria abandonado nos anos 40 do século XX, levando os novos edifícios ao alinhamento normalizador da avenida.
A fachada deste edifício está imbuída de uma monumentalidade pouco usual na arquitetura portuense, desde o movimentado jogo de volumes à escala altimétrica dos pavimentos (3 andares correspondem a 5 da adjacente Câmara Municipal), a uma noção espacial valorativa entre panos de paredes e fenestrações, até a um magnânimo virtuosismo decorativo, provavelmente induzido pelo irmão-escultor José de Oliveira Ferreira.
A dinâmica decorativa clássica é desenvolvida de forma eclética, sob um embasamento rusticado, colunas dóricas acompanham a separação tripartida dos vazios comerciais, sobrepujadas de varandas salientes, prolongando-se nos andares superiores em colunas jónicas adossadas e valorizando os topos das fachadas com vãos arqueados, ladeados por duplas pilastras compósitas a suportar um entablamento que destaca frontões triangulares, com imaginados dragões alados nos acrotérios áticos. O restante vocabulário dissemina cachorros, mísulas, modilhões, cartelas, balaústres, caduceus, frisos jónicos de ovículos, feixes de varas, grinaldas e serralharias artísticas com o monograma da instituição.
Os efeitos decorativos na platibanda que percorre o edifício com os dragões alados, anjos, vasos ou urnas e uma alegórica figura escultórica alada não foram executados e eram importantes para rematar a imagem cenográfica de um edfiício que pretendia afirmar a importância desta instituição recreativa, cultural e cívica para uma cidade do Porto orulhosa na ânsia de alcançar o progresso.
Luís Bourbon Aguiar Branco
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